19 fevereiro, 2010

As tuas estrelas



A vida é a nascente destes sentimentos definitivos. Sou eu e a tua contorção de ancas, sou eu e o teu constrangimento, o apelo flutuante que estende a tua mão na minha, que nos entrega o imaginário quando voamos iluminados na autenticidade dos sonhos e no esférico movimento do universo.
Espero ser sempre concreto na visão ideológica do teu aconchego, mas por vezes, inversamente de tudo aquilo em que acredito, sinto raiva destas fronteiras de personalização, destes lugares estritos que nos separam em duas velocidades e dois parâmetros. Porque apenas tu bafejas os meus desejos. Porque apenas tu trazes os teatrais abalos do coração e, não obstante, trazes ainda a explosão dos eclipses, as madrugadas do corpo sobre o chão e a monotonia das coisas vagas e inseparáveis.
Quero os teus murmúrios e a tua incandescência. Quero o lugar adverso a este caminho que percorro sem ti.
Nem sei para onde me levam estes percursos feitos de fechaduras, de delírios, e sempre tão injustos com o que sinto. Porque nem tudo é fictício depois do aguaceiro e dos desabafos sobre a intensidade do que és. Interrogo-me nesta perspectiva e escrevo e escrevo e escrevo sem encontrar nenhum alivio nem qualquer indício dos teus lábios ou do teu farelo de estrelas.
Onde está o teu alojamento, a tua inundação de risos soltos, as tuas alucinações e tua perversidade? Onde estou eu neste desígnio incompleto cumprimentando a vertigem de tudo ser real? Onde habita a origem deste desassossego inválido e edificado sobre o meu corpo e as minhas certezas? Para onde vamos tão exuberantes?
Abraço o balançar das tuas recordações e sinto-me gélido perante a minha coragem. Nem sei se fui absolvido pela matéria que o amor ilustra no seu erotismo sincero, ou se apenas a magnitude dos sentimentos é uma confusão involuntária do meu raciocínio. Sinto-me perdido e esborrachado na realidade.
Porque a vida é pouco mais do que o teu olhar misterioso diante das estrelas. A vida é pouco mais do que uma fábula ou um jardim de contradições, pouco mais do que uma viagem em conformidade com o quotidiano e as pedras do que nunca existirá. A vida reside na delicadeza dos teus lábios e dos teus sonhos. E eu, quero regressar amanhã ao sossego infinito dos teus braços, lá longe, onde tombam todos os teus troféus e onde resistem as tuas mais resplandecentes estrelas.

2 comentários:

  1. Ola , Obg pela sua visita e comentario. Gostei mt daki. Bju
    Ana Paula

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  2. Olá Ivo obrigada pelo elogio! =)
    Não pude deixar de reparar que a nível de assuntos do pouco que vi, os nossos blogues encontram-se.
    Voltarei para ler com toda a calma que o teu blogue merece.
    Sê bem vindo =)

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