14 fevereiro, 2010

O elemento

O Elemento inicia-se numa molécula insubmissa ao raciocínio. É fundamentado pelo chão que desliza debaixo dos seus pés, reconfortando-o com algumas certezas de existência. A fantasmagórica e colorida visão dos objectos, para além de o fazer sentir vivo, faz com que todas as outras coisas existam. O Elemento é um ser pertencente ao Universo; não só ímpar e geneticamente moldado - como também tem uma identidade surpreendente, movida pela atmosfera circundante. É precisamente nessa esfera que o Elemento se divide entre o raciocínio, as emoções e os sonhos. E já bem na obscuridade misteriosa da sua existência, depois de uma linha muito ténue, quase invisível, o Elemento ainda é dividido por um instinto animal - armadilha das suas circunstâncias.
O Elemento é a sua busca e tudo o que no exterior conquista. Desfragmenta-se num ideal secreto, expulsando uma energia persuasiva, uma corrente de fantasias e objectivos em fuga de si mesmo, recortando a sua personalidade ao mesmo tempo que se deixa invadir pela realidade expansiva. Não é mais então do que uma matéria de contrastes, sem deter o que sente, sem deter o que lhe vai perfurando os olhos, sem deter que tudo faça explodir dentro de si mesmo, um núcleo invisível, responsável pelas suas escolhas e o Eu, um lugar que o faz pensar, que o faz absorver o mundo. Um lugar que se gera pela impulsividade, um lugar entre a alma e o corpo, um lugar de amor, de criatividade e de escolhas, de missão e de luta. Um lugar inconscientemente transformado pela percussão da vida e da essência.
O Elemento é isto: uma energia inquieta, com convicções concretas numa realidade abstracta. O Elemento é um ser solitário entre a multidão.

Assim, aqui estamos, entre esta confusão de existencialismo individual. Rasgando caminhos sob a luz da lua que nos faz interrogar a própria vida; elementos do universo esvoaçando e transformando o mundo.
Assim, acordamos nesta velha realidade, conscientes do cosmos, fortalecidos pelas nossas convicções e ideais, sempre dotados de razão e de liberdade.
Estamos cada vez mais evoluídos. Afinal, estamos tão próximos do que queríamos ser que a humanidade desespera e baralha-se na sua heróica reconstrução. Ou seja, vivemos esta evolução ao máximo dos nossos sentidos, cada vez mais próximos do super-homem, como dizia Nitcheze, mas ainda do lado de cá, porque a corda que separa o homem do super-homem, é imaginária. E, deste modo, tão poeticamente certos como errados, vamos remexendo a existência e os nossos valores, entregues sempre ao aspecto inicial, atravessando uma corda imaginária que pode desaparecer ao acordarmos, sobre o abismo.
Nós somos seres complexos na leveza existencial. Nós somos o peso da nossa vida. E ainda bem , porque é aqui que começa a consciência que nos faz levitar.

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