03 fevereiro, 2010

Eu

Tenho mil vidas provocadas de consequências, pensamentos, nervosismo e melancolia. Sou a variedade do que sonhei, as minhas alucinações e todos os estímulos que o mundo desenvolveu em mim. Sou a complexidade do meu equilíbrio e alguns fenómenos semelhantes.
Tudo o que eu trago é a minha apatia, o meu amor pela vida em si, e sempre que posso, as minhas demonstrações de afecto. Sei que tenho fortalezas psíquicas, mas também sinto falta de alguém. Também trago dentro de mim um asilo.
Gosto de brincadeiras mas sobretudo de vínculos. Quero ser vencido quando trouxer as condições satisfatórias para tal. Quem controla o que penso? E o que sinto? Sinto o cérebro povoado de intensos poderes que me manipulam. Evito entrar em conflito comigo, embora tenha as minhas convicções. Procuro criar à minha volta um ambiente isento de dúvidas. Mas sou verdadeiro, e por isso frágil e instável. Espero ter sempre a força necessária para permanecer paralisado e vencer.
Não quero a monotonia. Sou feito de curiosidades e necessidades. Tenho bom carácter, mas sou perigoso. Entusiasmam-me e excitam-me as contrapartidas do que é banal. Faço promessas como faço ameaças.
Eu merecia um castigo, embora eu sinta que trago um paralelismo com o universo em certas circunstâncias.
Tenho acção sobre o ódio e o amor. Sou concreto no meu imparcial comportamento. Manipulo e domino. Mas ofereço liberdade e livre arbítrio.
Tenho tensão e medo. Tenho manobras e ilusão. Sou um exemplo de vítima de opressão, embora também seja um exemplo de moralidade. Não sou agressivo mas nem sempre reprimo os meus instintos. Tenho laços, compromissos e uma origem. Sou estranho. Sou feliz e manifesto a minha alegria ao mundo. Mas também sou isolado e imobilizado por esse mesmo mundo. Sou vulgar.
Quero emancipação e não discrepância. São estas as minhas justificações. Também reivindico - no meu direito – e quero ser proclamado por quem me apoia.
Sou um abismo entre o facto e a retórica. Sou quase uma metáfora. Assim me projecto, um pouco dissimulado. Mas é esta a minha consciência individual. Sou um reino de fábulas e crenças. Sou íntegro na realidade. E nada, nada mais do que eu, tem a minha culpa e a minha vitória. A minha vida transparente. Eu.

2 comentários:

  1. O acaso me troxe até você, e foi a melhor descoberta dessa tarde...
    Esse "EU" insinuante, complexo e encantador.
    Me visite qualquer hora: www.cronicamenteorganica.blogspot.com

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  2. sem duvida ...sabes colocar as letras nos sitios certos parabens e um muuaahhhh doce

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